De 1930 a 1998 – qual a melhor seleção brasileira?

Esta pergunta provocativa foi postada nas mídias de MENTALFUT®, em 11/7/2020, prometendo que este blog apresentaria um detalhamento de publicação da revista Playboy que, na época da Copa do Mundo da França - 1998, desenvolveu o tema. Para lembrar, os editores convocaram trinta profissionais de imprensa para responderem esta pergunta: qual a melhor seleção brasileira, de 1930 até 1998?


O time titular que derrotou a Suécia na decisão. Em pé: Técnico Vicente Feola, Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar. Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo Créditos: Divulgação CBF

Foram criados dois grupos, com oito seleções em cada um. Por critério definido pelos formuladores da reportagem, no grupo A estiveram as seleções de 1930 a 1958, e as de 1962 a 1998 ficaram no grupo B. As seleções cabeças de chave foram as campeãs (1958, 1962, 1970 e 1994), tendo as adversárias sido escolhidas por proximidade de época (minimizando diferenças na forma de preparação física).


A Seleção Brasileira que conquistou a Copa do Mundo de 1962 no Chile Créditos: Acervo CBF

Cada partida foi analisada por três comentaristas diferentes, definidos por sorteio. Para os três resultados de cada partida (se de fato tivesse ocorrido), estarão citados os profissionais que votaram, cada um deles dando a sua opinião sobre qual teria sido o resultado. Para ficar mais transparente, vamos mostrar a soma dos três resultados, indicando o nível de equilíbrio (ou não) que teria havido.


Primeira fase – Chave A


Brasil-58 x Brasil-34 teve a vitória da primeira, por 3 x 0 (a soma dos resultados foi de 15 x 3), com as opiniões de Alberto Helena Jr, José Silvério e Décio de Almeida Prado. Em outra partida dessa chave, Brasil-38 venceu o Brasil-30 também por 3x0 (soma foi 11x1), com opiniões dos mesmos profissionais. A terceira partida da chave foi entre Brasil-62 e Brasil-66, com vitória do primeiro por 3x0 (soma de 9x1), com votação de Oldemário Tuguinhó, Luis Fernando Veríssimo e Roberto Benevides. Para o jogo entre Brasil-50 e Brasil-54 opinaram Juarez Soares, Roberto Drummond e Luis Fernando Veríssimo, sendo vencedora a seleção de 1950 por 2x1 (soma de 6x4).


Garrincha foi um dos grandes nomes da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958 Créditos: Divulgação CBF

Primeira fase – Chave B


Brasil-70 x Brasil-44 teve a vitória da primeira, por 3 x 0 (a soma dos resultados foi de 9 x 2), com as opiniões de Roberto Drummond, Juarez Soares e Oldemário Toughinhó. Em outra partida dessa chave, Brasil-82 venceu o Brasil-78 também por 3x0 (soma foi 9x1), com opiniões de João Ubaldo Ribeiro, Mario Prata e Roberto Drummond. A terceira partida da chave foi entre Brasil-94 e Brasil-90, com vitória do primeiro por 3x0 (soma de 4x1), com votação de Fernando Calazans, Ruy Ostermann e João Ubaldo Ribeiro. Para o último jogo da chave, entre Brasil-98 e Brasil-86 opinaram Fernando Calazans, Ruy Ostermann e Mario Prata, sendo vencedora a seleção de 1998 por 3x0 (soma de 14x0).


Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 Imagem: Gerência de Memória/CBF

Seleções e jogos para a etapa de Quartas de Final:

Jogo 1: Seleção de 1958 x Seleção de 1938; Jogo 2: Seleção de 1962 x Seleção de 1950;

Jogo 3: Seleção de 1970 x Seleção de 1982; Jogo 4: Seleção de 1994 x Seleção de 1998.

O jogo 1 foi analisado por Flavio Prado (5x4 para Brasil-58), Carlos Maranhão (5x3 para Brasil-58) e Washington Rodrigues (6x0 para o Brasil-58). A seleção de 1958 vai para a semifinal, vencendo por 3x0. O jogo 2 foi analisado por Walter de Mattos (3x2 para o Brasil-1950), Ignácio de Loyola Brandão (5x4 para o Brasil-62) e, então, a decisão coube a Washington Rodrigues (Brasil-62 vence por 3x0). A seleção de 1962 venceu por 2x1 e disputará a semifinal com a de 1958, ambas campeãs mundiais.

Usada na decisão contra a Suécia, a camisa azul de Vavá está exposta no Museu Seleção Brasileira Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

O jogo 3 foi analisado por Flavio Prado (4x2 para Brasil-70), Marcelo Duarte (Brasil-70 vence por 8x7) e por Walter de mattos (Brasil-82 vence por 3x2, em jogo muito equilibrado). A seleção de 1970 vai para a semifinal, vencendo por 2x1. Quanto ao jogo 4, os analistas foram unânimes ao indicar como partida terrível de ser analisada e, caso tivesse ocorrido, seria o pior encontro de seleções para assistir. Carlos Maranhão (Brasil-98 vence por 1x0), Ignácio de Loyola Brandão (Brasil-98 vence por 1x0) e Marcelo Duarte (Brasil-94 vence por 1x0) decidiram enviar a seleção de 1998 para a outra semifinal.

Seleções e jogos para a etapa de Semifinais:

Seleção de 1958 x Seleção de 1962; Jogo 2: Seleção de 1970 x Seleção de 1998;

Para as semifinais, três seleções que foram campeãs do mundo, até 1998, foram escolhidas pelos comentaristas. E para uma partida virtual equilibrada, duas delas se enfrentam diretamente, ambas contando (entre seus principais jogadores) com fenômenos como Gilmar, Nilton Santos, Djalma Santos, Garrincha, Zagallo, Vavá, Didi e, é claro, Pelé. A seguir, além do resultado de cada analista, vamos publicar também alguma opinião de destaque.


Seleção 158 - Divulgação: Foto autor desconhecido

Wanderley Nogueira deu o seu resultado favorável à seleção de 1958, por 4x1, tendo escrito: “Que fantástico seria, em uma Copa do Mundo, Garrincha sendo marcado por Nilton Santos”. Fiori Gigliotti também deu a vitória à seleção de 1958, por 3x2, comentando: “A decisão veio na prorrogação, após empate de 2x2, em uma partida na qual o homem das pernas tortas enlouqueceria a enciclopédia do futebol”. E Silvio Luiz completou a decisão, também para o Brasil-58, por 4x2, afirmando que: “Pelé também daria muito trabalho para Nilton Santos”. A seleção de 1958 vai para a final dessa Copa FIFA.

Jogadores da seleção brasileira comemorando gol contra a Checoslováquia, no Estádio Jalisco, na Copa do Mundo de 1970 (Lemyr Martins/VEJA) Leia mais em: https://veja.abril.com.br/galeria-fotos/mexico-1970-fotos-do-acervo-da-editora-abril/

A outra semifinal não emocionou e nem dividiu os comentaristas. A seleção de 1970 venceu a de 1998 por 3x0 (soma dos resultados foi de 12x4). Fernando Vanucci (4x3) comentou: “Termina o jogo em 3x3 e Pelé define na prorrogação”. José Trajano (4x1) afirmou que:”Junior Baiano não seguraria Jairzinho nem dando muita porrada”. Para Aldir Branc (4x0), “o futebol-arte desequilibra o jogo e vence”. A seleção brasileira de 1970 é a outra finalista.


Apenas para efeito de registro, a disputa de 3º e 4º lugares foi analisada por Luiz Alfredo, Alexandre Niemeyer e Nando Reis. A seleção de 1962 venceu facilmente a de 1998 por 3x0 (resultado acumulado de 10x2). Mas a hora da decisão, como a revista Playboy chamou a final entre a Seleção de 1958 e a Seleção de 1970, merece uma atenção especial. E os três comentaristas sorteados para essa incrível missão foram Juca Kfoury, Armando Nogueira e Orlando Duarte.


Tostão, Pelé e outros jogadores do Brasil se abraçam depois de gol contra o Uruguai, na semifinal da Copa do Mundo do México-1970 (Lemyr Martins/VEJA) Leia mais em: https://veja.abril.com.br/galeria-fotos/mexico-1970-fotos-do-acervo-da-editora-abril/

Orlando Duarte marcou 3x1 para o Brasil-58, segundo ele com dois gols de Pelé e um de Vavá. O gol do Brasil-70 foi de Jairzinho, após longo lançamento de Gerson. Duarte descreve com detalhes como seriam os gols de Pelé: o primeiro foi a finalização de uma jogada com três chapéus seguidos, e o segundo depois de passar a bola por entre as pernas de um zagueiro. E comentou: “Embora o Brasil-70 fosse mais técnico e com preparo físico, tinha falhas de marcação e Garrincha mataria a ala esquerda”.

Juca Kfouri apontou 4x2 para a seleção de 1958 e lembrou, como dado histórico, que o Brasil nunca perdeu quando Garrincha e Pelé jogaram juntos. Ele também imagina Garrincha fazendo gato-e-sapato na ala esquerda do Brasil-70, mas lembra que Rivelino daria o troco em Djalma Santos. Para ele, no placar final, seriam dois gols de Pelé e dois de Vavá, para o Brasil-58, e um de Jairzinho e outro de Pelé, para o Brasil-70.

Enfim, o terceiro analista foi Armando Nogueira que, com a sua sempre conhecida escrita poética, afirmou: “Nem no campo da fantasia é possível imaginar um time com Pelé jogando contra outro time com Pelé, virando então uma partida de dez contra dez”. O Brasil-70 abre o placar com Rivelino marcando de falta. Ainda no primeiro tempo, o Brasil-58 empata com Vavá, após cruzamento de Garrincha. E esse mesmo lance se repete no segundo tempo, decretando a vitória do Brasil-58.


Grupo brasileiro comemora a conquista dando a volta olímpica com a bandeira da Suécia em sinal de agradecimento pela receptividade e respeito ao adversário da decisão Créditos: Divulgação CBF

Com seu senso de humor, Armando Nogueira lembrou que Zagallo pode ficar contente como jogador vitorioso do Brasil-58, mas como técnico do Brasil-70 acabou vice-campeão. O comentário final é que a COPA DO MUNDO FIFA, apenas com seleções brasileiras até 1998, teve a vitória do Brasil-58. Depois disso, tivemos mais uma seleção campeã mundial (2002), compondo 21 seleções que disputaram copas mundiais até 2020... Será que, mantidos os critérios dessa reportagem da Playboy, o resultado hoje seria o mesmo? Ou a nova geração de atletas, principalmente a de 2002, teria condições de vencer essa competição especial? Que tal deixar seus comentários aqui no blog MENTALFUT®?


Sobre o autor: Mario Divo tem mais de 45 anos de experiência profissional, sendo PhD pela Fundação Getulio Vargas, Master Coach e Mentor, Adviser, Professor e Palestrante, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem ampla experiência na área pública e privada, no Brasil e no exterior, hoje, além de atuar com sua empresa MDM Assessoria em Negócios, é o Coordenador Executivo do MENTALFUT®.


#mentalfut #copadomundo #seleção #seleçãobrasileira #blog #psicologiaesportiva #coachingesportivo #copadomundo #fifa #CBF #Brasil #Playboy

0 visualização
  • Facebook MENTALFUT
  • MENTALFUT Instagram

+55.21.99164-3674

Rua do Russel 807/4ºa – Glória

Rio de Janeiro - RJ CEP: 22210-010

Parceria Ledera Assessments

© 2019 por MENTALFUT ®

Portal administrado por MDM Assessoria em Negócios - CNPJ 04.503.806/0001-53