A psicologia do esporte aplicada ao coaching esportivo

Em Dezembro de 2019, a publicação especializada Journal of Applied Sport Psychology publicou um conjunto muito interessante de artigos técnicos, com o título “Exploring Sport Psychology in the Discipline of Sports Coaching” (em versão livre - Explorando a psicologia do esporte na prática do coaching esportivo). No editorial, da autoria de quatro estudiosos do assunto (Brendan Cropley, Richard Thelwell, Cliff J. Mallett e Kristen Dieffenbach), está reforçada a importância de aplicar conceitos de psicologia do esporte na prática do coaching esportivo, fornecendo algumas bases de reflexão sobre o assunto.


Como o time de MENTALFUT® acompanha o que está na fronteira do conhecimento naquilo que diz respeito ao desenvolvimento mental e emocional dos atletas, assumimos trazer um resumo daquele conteúdo para os nossos amigos e seguidores. Segundo os autores, a natureza do coaching esportivo passou por diversas críticas, dado que para muitos estudiosos tem havido simplificação de métodos e práticas. Pesquisadores assumem que o coaching é caracterizado por sistema complexo com foco na interação coach-cliente, e postulam que no esporte deve se estender além do foco no atleta para também considerar a equipe técnica e as estruturas organizacionais em que trabalham.



Os argumentos que buscam conceituar o coaching esportivo como processo complexo, na realidade, têm evidências nos impactos gerados nos níveis individual e organizacional. Por exemplo, a interação entre emoções, pensamentos e comportamentos intrapessoais do atleta, que se tornam social e contextualmente dependentes, torna a compreensão da tomada de decisões e ações do treinador uma tarefa problemática. Além disso, do ponto de vista organizacional, as estruturas micropolíticas que são moldadas pela multiplicidade de relacionamentos integrais ao processo de coaching esportivo (por exemplo, coach-atleta, equipe de suporte, coach-organização e coach-stakeholder) exigem que os coaches tenham mente aberta aberto, sejam adaptáveis e flexíveis em relação às interações ambientais dinâmicas associadas ao esporte.


Ligada a essa interpretação do coaching esportivo, possivelmente, existe a premissa de que os coaches devem ser considerados como artistas que têm destaque independente. Isso deriva do reconhecimento de que eles são julgados pelos resultados do desempenho de seus atletas e, entre outras coisas, precisam executar um número sempre crescente de tarefas. Além disso, os coaches atuam sob expectativas muitas vezes irreais e grande pressão (suas e do mundo externo), lidam com a falta de segurança no cargo, devem manter em dia seus próprios estados psicológicos e emocionais e, como se não bastasse, precisam construir e manter relacionamentos com diferentes grupos de interesse que estão frequentemente em conflito (entre eles, dirigentes, torcedores e a mídia).




Em todos os níveis, o coaching esportivo é considerado como atividade profissional gratificante, mas por demais estressante. Ao final da linha, constata-se o aparecimento de esgotamento técnico, perda de criatividade e baixo humor, bem-estar inadequado e um indesejado estresse mental. Olhar parar o coach esportivo como um artista do esporte nos permite ir além das conceituações de artistas como entidades unidimensionais. Ao contrário, haverá a chance de que pesquisas futuras possam examinar melhor essa conjugação de fatores que envolvem o trabalho do coach esportivo.


Dado o papel central que o coach esportivo desempenha, preparando atletas e equipes para um desempenho bem-sucedido, melhorando e mantendo as taxas de participação no esporte e/ou incentivando outras pessoas na profissão de treinador, parece pertinente provocar reflexões e pensamentos sobre os aspectos psicológicos do coaching esportivo. Certamente, apesar do papel há muito estabelecido pela psicologia do esporte no trabalho com coaches, ainda há um espaço considerável para explorar aspectos psicológicos. O editorial da publicação mostrou que vale a pena explorar a profissão de coach esportivo através das lentes da psicologia do esporte, abrindo caminho para o desenvolvimento do conhecimento necessário para aprimorar a prática e o gerenciamento da atividade.



Um dos estudos apresentados, realizado nas estruturas de liderança de dezenas de equipes esportivas, mostrou que existe uma importância marcante dos coaches para fortalecer a qualidade de liderança de seus atletas. Da mesma forma, os coaches desempenham papel essencial para o atendimento (ou não) das necessidades e motivação psicológicas básicas de seus assistentes. O estudo fornece uma visão interessante de como as interações eficazes do coach com os assistentes contribuem para estes se adaptarem aos valores, objetivos e comportamentos aos quais estão expostos em seus arredores.


O editorial aponta também para um estudo específico voltado a coaches de atletas paraolímpicos. Especificamente, os autores examinaram estratégias e comportamentos que atletas paraolímpicas consideram mais desejáveis em um coach, bem como o impacto do relacionamento para o desempenho, satisfação pessoal e, ainda, quanto à influência sobre o estado psicológico dos atletas. Um estudo em especial também buscou encontrar critérios para a eficácia do coaching esportivo, principalmente em relação a fatores de gênero. No geral, ficou acentuado o valor potencial de aumentar a aproximação dos coaches esportivos a profissionais de psicologia aplicada ao esporte.



Ainda que possa parecer óbvio, outro estudo da publicação foi lembrado pelo editorial. Segundo ele, é fundamental que os coaches esportivos deem o exemplo ao manterem integridade pessoal e congruência com respeito a atos, valores e comportamentos. Porém, isso apenas não é suficiente, pois o coach esportivo se relacionará com profissionais de desempenho que trabalham com a ciência do esporte, exigindo que aproveite ao máximo os pontos fortes enquanto gerencia suas limitações.


Coletivamente, o editorial aponta que os artigos da publicação refletem um cenário dentro do coaching esportivo e a importância de explorar as linhas psicológicas de investigação necessárias para moldar a prática mais correta e eficaz. Além disso, os estudos servem para a destacar a necessidade contínua de pesquisas focadas na psicologia do coach esportivo, bem como os princípios psicológicos interagem e moldam o processo de coaching esportivo, que é inerentemente complexo. Nós, da equipe de MENTALFUT® oferecemos ferramentas de avaliação de perfil de atletas que podem contribuir com a difícil missão do coach esportivo. Vale a pena conhecer.


Sobre o autor: Mario Divo tem mais de 45 anos de experiência profissional, sendo PhD pela Fundação Getulio Vargas, Master Coach e Mentor, Adviser, Professor e Palestrante, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem ampla experiência na área pública e privada, no Brasil e no exterior, hoje, além de atuar com sua empresa MDM Assessoria em Negócios, é o Coordenador Executivo do MENTALFUT®.


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