A importância do Esporte na Economia do país

Muito se fala da importância do esporte para a economia de qualquer país, sendo que no Brasil ele movimenta perto de 1,9 % do PIB nacional. No caso específico do futebol, movimentando uma cadeia produtiva de R$ 53 bilhões, em 2018, ele respondeu por 0,85% do PIB brasileiro (fonte CBF). Mas você sabe o que está incluído na cadeia produtiva do esporte para se chegar a esse número? A seguir, a equipe do MENTALFUT comentará um estudo técnico e bem aprofundado sobre o tema e, temos certeza, você ficará surpreso com a informação.


Um dos mais experientes econometristas do Brasil e professor titular da Fundação Getulio Vargas, Dr. Istvan Kasznar, liderou um estudo com o título “A evolução do PIB do Esporte”. Esse estudo buscou consolidar outros similares que aplicavam levantamentos, modelos básicos e projeções com foco nas Contas do Esporte. O grupo responsável pelo trabalho envolveu o IBCI – Institutional Business Consultoria Internacional, o NECE – o Núcleo de Estudos das Contas e da Gestão do Esporte (Fundação Getúlio Vargas – FGV), a Confederação Brasileira de Voleibol – CBV e, alinhada a esta, por equipe do Banco do Brasil.




Antes de passarmos às conclusões, cabe lembrar que um estudo como esse se orienta pela compreensão completa da dimensão do Esporte, enquanto área produtiva geradora de produtos e serviços, renda, empregos, dispêndios, impostos e, sobretudo, naquilo que abrange o bem-estar social. Quanto à metodologia adotada, resumidamente, o estudo considerou que a produção do Esporte pode ser mensurada pela soma da circulação de valores financeiros derivados dos produtos e serviços criados pelas diversas atividades envolvidas, tanto no que se refere à área privada como a pública.


O estudo comprovou a importância do Esporte para o Brasil e para os brasileiros. Do estudo, a equipe de MENTALFUT destaca esta mensagem - síntese: A cultura local, o clima, os dias ensolarados, uma enorme extensão de terras e praias – recursos naturais e a atitude coletiva de compartilhar a vida em conjunto – transformam os esportes em uma atividade existencial e social vital.


Como bem esclarecido pelos autores, o Brasil é um país com concentração de renda e disparidades econômicas, o que afeta o desenvolvimento da economia. Porém, é nesse contexto que o esporte deve ser entendido no país. Por um lado, é fonte de diversão, lazer e status para os brasileiros (principalmente os de melhor condição econômica), pois permite que cada pessoa possa participar de atividades esportivas e até de promovê-las junto aos clubes. O Esporte movimenta hotéis e restaurantes, agências de viagem, indústria de vestuário esportivo, alimentos e vitamínicos, serviços de mídia e outros serviços especializados (personal trainer, por exemplo)


Por outro lado, para quem se encontra na base da estrutura social, o esporte significa a esperança de jogar num time profissional de futebol, basquete, vôlei, tênis ou outra atividade esportiva valorizada, que seja bem paga e possibilite aumento de renda. Se for bem-sucedido, o jovem muito pobre será capaz de saltar da renda inexistente para milhões de reais por ano, num período de tempo bastante curto. Assim, ele ajuda a si mesmo, a sua família e atende a sociedade midiática, que divulgará o sonho que se tornou realidade como exemplo a ser seguido por milhões de outros jovens, como se o mesmo pudesse acontecer para todos.



Finalizando, cabe repetir um trecho conclusivo do estudo, nas palavras de seus autores: Quanto mais o tempo passa, com a promoção de políticas de saúde pública e da mídia, ao demonstrar os efeitos positivos da prática de esporte para todas as pessoas e em todas as idades, mais brasileiros praticam esportes e os adotam como uma de suas atividades favoritas. Isto pode explicar, parcialmente, porque as atividades afins ao Esporte cresceram numa taxa média anual superior à taxa média anual do PIB nacional.



A metodologia e os setores pesquisados


A indústria dos esportes mobiliza ao seu redor um enorme e múltiplo conjunto de setores e subsetores. Não iremos aqui entrar nos detalhes de cálculos, mas na identificação de quais são as atividades que, de alguma forma, fazem parte da cadeia produtiva no esporte e são responsáveis pelo impacto de quase 2% no PIB nacional. Do lado privado, o estudo listou para análise do que fazem e como produzem serviços e bens esportivos, os seguintes setores e empresas, entre outros:


• Confederações;

• Federações;

• Associações;

• Clubes;

• Agremiações;

• Indústrias;

• Organizações não governamentais – ONGs;

• Setores de serviços em mãos do setor privado (Telecomunicações e Mídia; Marketing; Transporte; Distribuição; Educação Esportiva; Casas Lotéricas; Casas de apostas; hipódromo; Eventos, Congressos, Simpósios, e afins; Feiras Esportivas; Banking e Meios de Pagamento Esportivo), entre outros.



O setor público pode trabalhar as atividades esportivas em estruturas e órgãos variados, o que exige sempre atenção especial nas apropriações de valor e contabilização. Entre eles, podem ser feitos os seguintes cortes e agrupamentos:


• Definição de nível de poder (Federal; Estadual; Municipal; Distrital; Zona Administrativa);

• Definição por tipo de organização (Estatal; Estadual; Municipal; Distrital; Sociedade Anônima; Economia Mista; Autarquia; Limitada; Outras);

• Definição por tipo de atividade esportiva vinculada aos esportes (Secretarias de Esportes; de Educação; de Saúde; da Indústria; de Promoção e Desenvolvimento Social; Caixa Econômica Federal).


Completando, tanto nos setores privado como público, há diferentes fontes de geração de receita aos agentes esportivos, sendo merecedores de análise os seguintes:


(a) Mensalidades e taxas em clubes, associações e confederações;

(b) Receitas oriundas da venda de bens e serviços em clubes, associações e confederações (Treinamento, aulas e cursos; Vendas de alimentos e bebidas; Vendas de uniformes, camisas, camisetas, calças, shorts, macacões, trainings; Vendas de sapatos, tênis e afins; Vendas de bandeiras ou objetos com símbolos de clubes; Aluguel de espaços, quadras, estacionamentos, pátios, estádios, áreas recreativas, pensões e acomodações internas; Organização do Esporte como eventos, shows esportivos e campeonatos; Taxas advindas de torneios e campeonatos; Contratos com renda de jogadores profissionais; Contratos de imagem; Contratos de direitos de transmissão televisiva, rádio e mídia em geral; Contratos de patrocínio; Loterias e outros tipos de premiações; Apostas esportivas);

(c) Receitas variadas (Doações nacionais; Doações internacionais; Transferências federais a estados e municípios; Contribuições voluntárias para apoiar atleta, criança, população que vive em comunidades pacificadas ou não);

(d) Fundraising;

(e) Fluxos financeiros diretos/indiretos com esporte de alto desempenho; escolas; universidades; faculdades; fundações, etc;

(f) Recursos públicos em todos os níveis, federal, estadual e municipal, sendo a considerar (Impostos e taxas que se destinam ao esporte; Impostos, taxas e emolumentos que são específicos do esporte ou exclusivos dele; Orçamentos específicos para programas esportivos, times, equipes ou afins; Subsídios; Bolsas – atleta ou estudo);

(g) Outros fluxos financeiros que são alinhados à existência do esporte (Acesso a campos, estádios, piscinas, transportes, alimentos, complementos vitamínicos; Subsídios, apoios e patrocínios de empresas públicas – estatais e estaduais; Arrecadações lotéricas especiais; Isenções fiscais e para-fiscais; Descontos de multas fiscais e sobre empresas e pessoas; Anistias; entre outros).


Conclusão


Hoje, além de sua inegável contribuição à saúde e bem-estar das pessoas, o Esporte tem um impacto na economia e mostrar isso foi o objetivo desta postagem. No Brasil, essa importância é equivalente ao que encontramos hoje no Reino Unido, na Alemanha e, para nossa satisfação, não ficamos tão longe do que acontece nos Estados Unidos. E quando pensamos em quantas competições mobilizam as pessoas, não podemos esquecer que, junto com o lazer e o entretenimento, caminham o desenvolvimento científico e tecnológico ligado aos esportes e, com isso, gerando mudanças na vida da sociedade, em áreas como cultura, educação, consciência ambiental e, até mesmo, consciência social.


Acompanhe as mídias sociais de MENTALFUT e conheça muita novidade do mundo do esporte, em geral, e do futebol, em particular.


Sobre o autor: Mario Divo tem mais de 45 anos de experiência profissional, sendo PhD pela Fundação Getulio Vargas, Master Coach e Mentor, Adviser, Professor e Palestrante, com foco em Gestão de Negócios, Marcas e Design, Marketing e Comunicação Corporativa. Tem ampla experiência na área pública e privada, no Brasil e no exterior, hoje, além de atuar com sua empresa MDM Assessoria em Negócios, é o Coordenador Executivo do MENTALFUT®.


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